Dia Nacional de Luta pelos Direitos das pessoas com Doença Falciforme
A doença falciforme é uma condição genética causada por alterações no gene responsável pela produção da hemoglobina. Uma das formas mais conhecidas ocorre quando a pessoa herda duas cópias da variante que leva à produção da hemoglobina S.
Mas por que ela é mais frequente entre pessoas negras e pardas no Brasil? A resposta passa pela história genética das populações, e também pela história do nosso país.
A variante da hemoglobina S tem origem africana e chegou às Américas, em grande parte, em um contexto marcado pela migração forçada de milhões de africanos durante o período de escravização. Esse processo histórico contribuiu para a presença e a distribuição dessa variante entre as populações brasileiras.
Falar sobre isso é também reconhecer que a saúde das populações não pode ser separada da história e das desigualdades que atravessaram (e ainda atravessam) a sociedade.
Isso não significa que uma pessoa branca não possa ter doença falciforme, nem que toda pessoa negra ou parda tenha a alteração genética. A ancestralidade ajuda a compreender a distribuição de uma variante, mas não determina o diagnóstico de uma pessoa.
E existe uma informação fundamental: no Brasil, a doença falciforme pode ser identificada pelo Teste do Pezinho, oferecido pelo SUS dentro do Programa Nacional de Triagem Neonatal.
Nesse Dia Nacional de Luta pelos Direitos das Pessoas com Doença Falciforme, falar de genética também é falar de história, acesso ao diagnóstico, cuidado adequado e direitos.